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17 Anos Estruturando Vendas: Da Quebrada ao Bilhão - A História Completa

17 Anos Estruturando Vendas: Da Quebrada ao Bilhão - A História Completa
Joel Burigo
26/01/2026
35 min de leitura

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Narração por IA com voz natural em português

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Índice


Da Quebrada ao Bilhão: A História Que Ninguém Me Pediu Pra Contar (Mas Que Precisa Ser Contada)

Maio de 2012.

Acordo num barraco em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. O colchão está em cima de tijolos porque não tenho cama. A parede tem um buraco coberto com papelão. Não tenho geladeira.

São 5h47 da manhã. Preciso estar no CTE dos Correios às 7h. R$ 1.400 por mês pra colocar encomendas na esteira. Seis meses de contrato. Talvez mais três se eu “der sorte”.

Tenho 25 anos e tudo que construí nos últimos oito anos acabou. Literalmente. Tomei calote do próprio sócio. A empresa que abri quebrou. O dinheiro que juntei? Zero. A perspectiva? Menos que zero.

Vou te contar uma coisa: quando você chega no fundo, existe um silêncio. Não é aquele silêncio de paz, sabe? É o silêncio de quando você olha pro teto de manhã e pensa “como eu cheguei aqui?” e não tem resposta. Só tem vergonha. Só tem medo. Só tem aquela sensação de que talvez, só talvez, você não seja capaz de nada.

Mas deixa eu voltar. Porque essa história não começa em 2012. Ela começa muito antes. E se você veio da quebrada, se já passou aperto, se já duvidou de si mesmo… essa história é sua também.


Capítulo 1: A Garagem de Serragem

  1. Ponte do Imaruim, Palhoça, Santa Catarina.

Nasci no Hospital Regional. Mas quando saí de lá, fui pra casa onde meus pais já moravam: a casa da minha avó materna. Eu, meu irmão que era quatro anos mais velho, meu pai, minha mãe, tudo apertado naquela casa que cheirava a café coado de manhã e serragem de madeira o dia inteiro.

Serragem.

Esse cheiro marcou minha infância toda. Porque meu avô - pai da minha mãe - sempre trabalhou com marcenaria. Na garagem da casa dele, era onde acontecia a magia. Meu bisavô tinha começado essa tradição, passou pro meu avô, e ali, naquela garagem, era o ganha-pão da família.

Meu pai? Ele tentou outro caminho primeiro. Abriu um bar no centro comunitário. Cancha de bocha do lado, uns tiozinhos jogando, cerveja gelada, salgadinhos fritos.

No final do dia, o que sobrava de salgadinho vinha pra casa. Pra mim e meu irmão, aquilo era festa. Coxinha quentinha, risole, pastel. Hoje, quando lembro daquilo, vejo que eram os pequenos extras que a gente celebrava. Não passávamos fome, mas também não sobravam luxos.

O bar não deu certo.

Foi aí que meu pai entrou na marcenaria com meu avô - seu sogro. E foi ali, pequeno, sentado no chão da garagem cheio de pó de madeira, que passei a ver meu pai e meu avô transformarem tábuas em algo que as pessoas pagariam pra ter.

Não era mágica de verdade, claro. Era trabalho braçal. Pesado. Cada mesa, cada cadeira, cada armário feito à mão, peça por peça, erro por erro, ajuste por ajuste.

E sabe o que eu aprendi ali, com 4, 5, 6 anos de idade?

Que nada cai do céu. Que você constrói do zero. Que improviso até funciona, mas método constrói algo que dura.

Meu pai não era herói. Eu sei que muita história de superação começa com “meu pai era meu maior exemplo”. A minha não. Ele trabalhava, sim. Suava, sim. Mas herói? Não era. E quando eu tinha 18 anos, meus pais se separaram. E aí meu pai simplesmente… sumiu. Nenhuma ligação. Nenhum contato. Desapareceu da minha vida como se eu nunca tivesse existido.

Isso dói? Doía. Hoje? Hoje eu transformei essa ausência em combustível. Porque eu jurei pra mim mesmo que seria diferente. Que quando tivesse um filho, ele nunca ia conhecer esse abandono.


Capítulo 2: Quando a Luz Apagou

  1. Eu tinha 7 anos.

Finalmente conseguimos nossa casa própria. Casa de madeira. Simples. Mas nossa. No Jardim Eldorado, também em Palhoça. Se você conhece, sabe. Se não conhece, é aquele bairro onde todo mundo trabalha demais e ganha de menos, mas ninguém desiste.

Meu avô, na mesma época, mudou pro Jardim Eucalipto. Ele conseguiu um espaço maior pra marcenaria. Antes era tudo na garagem, apertado, improvisado. Agora tinha um lugar de verdade. E meu pai foi junto. Trabalhavam juntos. Avô e pai. Madeira, suor, serragem.

Minha mãe foi trabalhar como vendedora no Shopping Itaguaçu.

E aí começaram as fases.

Sabe aquelas fases que você não esquece? Aquelas que marcam?

Teve fase que cortaram a luz.

Não foi uma vez. Foram várias. Falta de pagamento. Você chega em casa, tenta acender a luz, e nada. Silêncio. Escuridão. Vela. Aquele cheiro de parafina queimando. Aquela sensação de impotência que uma criança sente mas não sabe verbalizar.

Teve fase que carne era luxo.

Minha mãe comprava soja. Soja texturizada. Aquele negócio que vem seco, você hidrata, e teoricamente tem “textura de carne moída”. Ela fazia e servia pra gente dizendo: “É igualzinho, é até mais gostoso, vocês vão ver.”

A gente sabia que não era.

Mas comia. Porque era o que tinha.

E olha, eu não conto isso pra gerar pena. Eu conto porque essa foi minha universidade. Foi ali que aprendi que dignidade não vem de quanto você tem na conta. Vem de quanto você luta mesmo quando ninguém tá vendo. Vem de uma mãe que transforma soja em “carne” pra que os filhos comam. Vem de um pai que sua serragem o dia inteiro pra botar comida na mesa.

Apesar de tudo? Éramos felizes.

Família unida. Base forte. Amor de verdade.

E isso, Joel pequeno ainda não sabia, mas isso ia ser o alicerce que me seguraria quando tudo desmoronasse anos depois.


Capítulo 3: O Grito Silencioso

Preciso falar de uma coisa que não me orgulho.

Mas se essa história vai virar livro um dia - e vai - então precisa ser verdade. Verdade crua, sem filtro.

Cresci em comunidade. E quem cresceu em comunidade sabe: as opções que aparecem pra você nem sempre são as melhores. Às vezes são as piores. E às vezes você aceita porque parece que não tem outra.

Me envolvi com o que não devia. Drogas. Ambiente errado. Gente errada.

Não vou romantizar dizendo que “éra só maconha” ou “todo mundo fazia”. Não era e não fazia diferença. Eu estava tomando decisões que me afastavam de quem eu poderia ser. Estava cercado de gente que não tinha plano, não tinha futuro, só tinha o agora.

E o pior: eu estava começando a achar aquilo normal.

Fiz coisas que hoje me envergonham. Não vou detalhar. Não é sobre chocar. É sobre ser honesto: eu estava virando estatística. Mais um improvável. Mais um que a quebrada engole e esquece.

Alguma coisa dentro de mim começou a incomodar.

Não foi um estalo. Não foi uma epifania. Foi tipo… uma coceira interna. Sabe quando você sente que tá no lugar errado, vivendo a vida errada, cercado das pessoas erradas, mas você tá tão imerso naquilo que parece que não tem saída?

Foi assim.

Só que a coceira foi aumentando. E aumentando. E aumentando.

Até que virou um grito interno: “Eu quero mais. Eu PRECISO de mais. Eu NÃO VOU SER MAIS UM.”

Foi ali, entre 2009 e 2010, que tomei a decisão que mudou tudo: dar um basta. Cortar. Sair. Recomeçar.

Não foi fácil. Quando você corta laços com um círculo social inteiro, você fica sozinho. E solidão dura. Mas era necessário.

Eu já estava mexendo com marketing digital desde 2004 como freelancer. Sites, anúncios, e-mail marketing. Era bom nisso. Eu sabia que ali tinha potencial. Só precisava levar a sério.

E levei.


Capítulo 4: O Primeiro Tombo

  1. Abri minha primeira empresa em Itajaí com um sócio.

Parecia bom. Dois caras trabalhando juntos, sonhando junto, construindo junto. Papel assinado, CNPJ aberto, planos grandes.

Março de 2012.

Quebrei.

Tomei calote do próprio sócio. Ele ficou com os clientes. Eu fiquei com o prejuízo e a vergonha.

Você já sentiu aquela sensação de que construiu algo do zero, colocou tudo que tinha, acreditou de verdade… e viu desmoronar?

Não é só perda financeira. É perda de identidade. É olhar no espelho e não reconhecer a pessoa que tá ali. É sentir que você falhou. Que você não é capaz. Que talvez todo mundo que duvidou de você estivesse certo.

13 de março de 2012. Meu aniversário de 25 anos.

No dia seguinte, 14 de março, saí de Santa Catarina.

Fui pra Belo Horizonte porque o ex-sogro tinha me prometido uma “oportunidade de emprego”. Qualquer coisa era melhor que ficar ali sentindo o peso da vergonha. Qualquer coisa era melhor que olhar pros meus pais e sentir que tinha decepcionado.

Fui.

Cheguei lá e descobri: não tinha emprego nenhum. A tal “oportunidade” não existia. E ali começaram os desentendimentos que só pioraram nos meses seguintes.


Capítulo 5: O Fundo do Poço

Os primeiros meses em BH foram um pesadelo.

Morei na casa da família da ex-namorada. Clima pesado. Conflitos. Aquela tensão no ar que ninguém fala mas todo mundo sente. Olhares. Silêncios.

Não deu.

Maio de 2012.

Mudei pra um barraco em Paraíso das Piabas, Ribeirão das Neves. R$ 300 de aluguel por mês.

Deixa eu te colocar lá dentro.

Você acorda. O colchão tá em cima de tijolos porque você não tem cama. A parede tem um buraco que você tampou com papelão porque não tem dinheiro pra reformar e o vento entra gelado de noite.

Você olha pro canto da parede onde deveria ter uma geladeira.

Não tem.

E quando você não tem geladeira, você não vive. Você sobrevive.

Não dá pra estocar comida. Não dá pra comprar carne no sábado e comer na quarta. Não dá pra ter aquele luxo de abrir a geladeira de madrugada e pegar um copo de água gelada.

Você compra o que vai comer hoje. Só hoje. Porque amanhã já é incerto.

Miojo. Muito miojo. Aquele de R$ 2,00 que você ferve na panela mais velha que tem. Pão com margarina. Ovo frito quando sobra uma nota de R$ 5.

Janta de um dia pro outro? Esquece.

Resto de comida que você guardaria na geladeira? Esquece.

Você come agora ou joga fora. Não tem meio termo.

E sabe o que é pior que a fome física? É a fome emocional. É aquela sensação de que você perdeu tudo. É acordar no barraco, olhar pro teto e pensar: “eu fui feito pra isso? Esse é meu destino?”

Dia 29 de maio de 2012.

Comecei no CTE dos Correios. Contrato terceirizado. Colocar encomendas na esteira. R$ 1.400 por mês. Seis meses garantidos, mais três possíveis se renovassem.

Acordava às 5h47. Tomava banho (quando tinha água quente, o que nem sempre tinha). Vestia a roupa menos rasgada que tinha. Pegava o ônibus.

E passava o dia movendo caixas.

Cada caixa era uma humilhação. Cada encomenda era um lembrete: “Você podia estar construindo empresas. E tá aqui.”

Mas sabe o que eu fiz?

Juntei cada real.

Cada centavo contava. Cada moeda guardada era um tijolo. E tijolo por tijolo, eu ia reconstruir.


Capítulo 6: Cem Portas, Um Sim

Seis meses no barraco.

Juntei dinheiro. Não muito. Mas o suficiente pra fazer uma coisa que ia mudar tudo:

Comprei mil cartões de visita.

“Joel Martins - Marketing Digital”

Mil cartões. Papel barato. Impressão simples. Mas eram meus.

Novembro de 2012.

Peguei esses mil cartões, subi a Avenida Afonso Pena em Belo Horizonte - uma das principais avenidas da cidade - e fiz uma coisa que exigiu mais coragem do que qualquer coisa que eu tinha feito até ali:

Bati em mais de 100 portas.

Literalmente. Porta a porta. Loja por loja.

Você já bateu em 100 portas pedindo oportunidade?

Deixa eu te contar como é:

As primeiras cinco portas, você ainda tem esperança. Você sorri. Você se apresenta. Você acredita.

Da porta seis à porta vinte, você começa a sentir a rejeição. “Não, obrigado.” “Já temos alguém.” “Não estamos interessados.”

Da porta vinte e um à porta cinquenta, você vira robô. Você repete o script. Você entrega o cartão. Você já nem espera resposta positiva.

Da porta cinquenta e um em diante, você só quer terminar. Você só quer provar pra si mesmo que não desistiu.

E aí…

Uma porta abriu.

Um cara me ouviu. Olhou pro cartão. Olhou pra mim. E disse: “Quanto você cobra pra fazer um site?”

Eu disse: “R$ 500.”

Ele perguntou: “E se eu não gostar?”

Eu respirei fundo e disse algo que saiu mais do desespero do que da estratégia:

“Se você não gostar, eu te dou de graça. Se gostar, você paga.”

Ele ficou em silêncio. Me olhando. Avaliando.

E disse: “Tá bom. Vamos tentar.”

Fiz o site. Ele gostou. Pagou. Me indicou pra outro. Esse outro indicou pra mais um.

Ali começou a reconstrução.

Não foi rápida. Não foi fácil. Não foi linear.

Mas começou.

Capítulo 7: A Reconstrução

2013 foi o ano de reconstruir tijolo por tijolo.

Saí do barraco. Finalmente. Consegui alugar um lugar melhor - ainda simples, ainda apertado, mas tinha geladeira. Você não imagina o que é poder comprar comida no sábado e comer na quarta. Parece bobeira, mas quando você passou seis meses sem isso, uma geladeira vira símbolo de dignidade reconquistada.

Cada cliente novo era uma celebração silenciosa.

R$ 500 aqui. R$ 800 ali. R$ 1.200 se fosse um projeto maior. Não era muito. Mas era meu. Era fruto de trabalho honesto. Era prova de que eu ainda era capaz.

Saí do CTE dos Correios. Consegui um emprego melhor numa empresa de educação profissional. Salário melhor. Ambiente melhor. Dignidade de volta.

Mas o que eu realmente queria era voltar a ser empreendedor. Só que dessa vez diferente. Dessa vez com método. Dessa vez sem depender de sócio que some com os clientes.

E em 2014, o jogo virou de verdade.

Não foi da noite pro dia. Foi acumulação. Cliente após cliente. Indicação após indicação. Trabalho bem feito que gerava mais trabalho bem feito.

Comecei a pegar projetos maiores. Empresas que faturavam milhões. Empresas que tinham estrutura. Empresas que me pagavam não R$ 500, mas R$ 5.000, R$ 10.000 por projeto.

Mudei de apartamento. Depois mudei de novo. Cada mudança era um upgrade. Cada upgrade era prova física de que eu estava reconstruindo.

Se você já reconstruiu algo do zero - negócio, carreira, vida - você sabe esse sentimento. Não é só felicidade. É validação. É olhar no espelho e finalmente reconhecer a pessoa que tá ali. É provar pra si mesmo que o fundo do poço não era o fim. Era só o começo de outra história.

Mas tinha algo faltando.

Eu estava crescendo profissionalmente. Tinha clientes. Tinha dinheiro. Tinha estabilidade.

Mas estava sozinho.


Capítulo 8: O Match Que Mudou Tudo

Belo Horizonte. Final de tarde. Eu estava deitado no sofá, cansado de mais um dia de trabalho, fazendo o que qualquer solteiro faz quando não tem nada pra fazer:

Passando o dedo no Tinder.

Pra esquerda. Pra esquerda. Pra esquerda.

E aí apareceu uma foto.

Natalia.

Sorriso que iluminava a tela. Energia que você sente antes mesmo de conversar. Aquele tipo de pessoa que quando aparece, você para de passar pra esquerda automaticamente.

Dei like. Match. Primeira mensagem. Segunda mensagem. Terceira mensagem. E de repente, estávamos conversando como se já nos conhecêssemos há anos.

Sim, conheci minha esposa no Tinder.

14 de dezembro de 2016.

E olha, se você torceu o nariz agora, relaxa. Hoje em dia é mais estranho conhecer alguém “na vida real” do que num aplicativo. E no final das contas, não importa onde você encontra a pessoa certa. Importa que você encontra.

Começamos a conversar. Sobre trabalho, sobre vida, sobre sonhos. E tinha algo ali. Uma conexão. Uma facilidade. Como se a gente já se conhecesse de algum lugar que a memória não alcança.

Oito dias depois, 22 de dezembro de 2016, fiz algo que não fazia havia quase cinco anos:

Voltei pra Florianópolis.

Sozinho. Só eu e uma mala.

Pensa na carga simbólica disso.

A última vez que tinha pisado em Santa Catarina foi em 14 de março de 2012. Saindo quebrado. Humilhado. Fugindo da vergonha. Carregando uma mochila com roupas e o peso de ter falhado estampado no peito.

E agora, dezembro de 2016, voltava diferente.

Reconstruído. Com carreira. Com estabilidade. Com propósito.

O avião pousou em Florianópolis.

Olhei pela janela. Vi a ponte. Vi o mar. Vi a ilha que me viu nascer e crescer.

E pensei, com os olhos úmidos: “Voltei. E voltei por cima.”

Passei o Natal com minha mãe e minha família. Meu pai? Esse já não fazia parte. Desde a separação, quando eu tinha 18 anos, ele tinha sumido completamente. Nenhuma ligação. Nenhum “feliz aniversário”. Nenhum “como você tá?”. Zero.

Mas minha mãe estava lá. E me olhava com aquele orgulho silencioso que diz mais que mil palavras. Aquele olhar de quem me viu sair quebrado e agora me via reconstruído.

Depois do Ano Novo, voltei pra BH. Voltei pra Natalia. E a história continuou.

22 de janeiro de 2017.

Começamos a namorar oficialmente.

E aí, minha história deixou de ser só minha. Virou nossa.


Capítulo 9: O Quebra-Cabeça

Tem dias que você não esquece.

Dias que mudam o rumo de tudo, mas você só percebe depois, quando olha pra trás e vê o antes e o depois.

27 de julho de 2017 foi um desses dias.

Eu estava fazendo consultoria pra uma empresa que faturava R$ 22 milhões por mês. Uma distribuidora gigante. Operação complexa. E eu ali, tentando estruturar o marketing digital deles.

Vinte dias antes, dia 7 de julho, tinha tido uma reunião tensa com eles. Daquelas reuniões onde você sai pensando “ou eu resolvo isso ou eu perco o cliente”.

Então fiz o que sempre faço quando tô travado: estudei.

Comprei uma sequência de livros sobre marketing, vendas, neuromarketing. Não foi aleatório. Foi intencional. Cada livro completava o anterior. Cada conceito se conectava ao próximo.

E no dia 27 de julho, enquanto lia o último livro daquela sequência, aconteceu.

As peças se encaixaram.

Sabe quando você tá montando um quebra-cabeça gigante há anos e de repente, numa tarde qualquer, você coloca uma peça e todas as outras fazem sentido ao mesmo tempo?

Foi isso.

Marketing não era separado de vendas. Vendas não era separado de produto. Produto não era separado de posicionamento. Posicionamento não era separado de público.

Era tudo um sistema único.

Ali nasceu o insight fundamental que anos depois eu estruturaria nos 6Ps: tudo precisa estar integrado. Mas naquele momento, ainda não tinha nome. Ainda não tinha framework formal. Era só a clareza de que eu precisava parar de tratar marketing, vendas e crescimento como áreas separadas.

Cada elemento que eu via em consultorias - posicionamento, público, produto, programas de atração, processos de conversão, pessoas executando - precisava funcionar como engrenagem única.

Não inventei nada disso da noite pro dia. Foi condensação de 13 anos errando, acertando, testando, ajustando. Mas naquele dia, pela primeira vez, ficou cristalino o conceito.

Fechei o livro. Respirei fundo. E soube que tinha acabado de ter o insight que ia mudar não só minha carreira, mas a vida de centenas de empresas que eu ainda nem conhecia.


Capítulo 10: De 160 Mil Para 1 Milhão

Teoria é bonita. Todo consultor tem teoria.

Mas teoria sem prática é masturbação intelectual.

Eu precisava de prova.

Maio de 2018. Comecei a trabalhar com uma holding que concentrava várias empresas no modelo franquia. Mais de 1.800 franqueados espalhados por todo o Brasil.

Operação grande. Complexa. Com todos os problemas que uma empresa grande tem.

Quando entrei, a empresa faturava R$ 160 mil por mês.

E olha, não era pouco. R$ 160k/mês é um bom faturamento. Muita empresa sonha em chegar nisso.

Mas eu sabia que podia ser mais. Muito mais.

Apliquei o sistema integrado que tinha começado a estruturar.

Não foi magia. Foi método. Foi sistema. Foi:

  • Redefinir o posicionamento da marca
  • Mapear as personas reais (não aquelas personas fake de PowerPoint)
  • Reestruturar a oferta pra ser irresistível
  • Criar programas de atração que gerassem leads qualificados
  • Implementar processos de conversão que transformassem lead em cliente
  • Treinar as pessoas pra executar tudo isso com consistência

Dois anos depois, em 2020, a empresa faturava R$ 1 MILHÃO por mês.

De R$ 160 mil pra R$ 1 milhão.

Crescimento de 433%.

Não foi sorte. Não foi timing de mercado. Não foi “ah, mas a empresa já estava crescendo”.

Foi sistema replicável bem executado.

E sabe o que isso provou?

Que o sistema integrado funcionava. Que não era só teoria bonita no papel. Que quando você integra marketing + vendas + crescimento num sistema único, o resultado é previsível e escalável.

Esse case mudou tudo. Porque agora eu não era mais “o consultor que tem umas ideias legais”. Eu era o cara que comprovou na prática que o método funciona.


Capítulo 11: A Cobertura no Castelo

2018 foi surreal.

Profissionalmente, estava no melhor momento da carreira. A holding crescendo absurdamente. Outros clientes grandes chegando. Uma distribuidora cresceu 250% no e-commerce. Uma rede de varejo cresceu 65%.

E pessoalmente?

Eu e Natalia moramos numa cobertura duplex no Castelo, bairro nobre de Belo Horizonte. Lugar lindo. Varanda enorme. Vista pro horizonte. Aquele tipo de lugar que você olha e pensa “cara, eu consegui”.

Dia 11 de setembro de 2018, chegou o Thor. Nosso cachorro. Golden retriever. Aquele cachorro gigante que te recebe como se você tivesse voltado da guerra, mesmo que você só tenha ido no mercado.

E no dia 31 de dezembro de 2018, na casa de praia dos meus avós na Praia do Sonho em Palhoça - aquela mesma Palhoça onde eu nasci, onde cresci sem luz em casa e comendo soja como se fosse carne - eu pedi Natalia em casamento.

Ela disse sim.

Voltando às origens. Mas de um jeito completamente diferente. Não mais o moleque da quebrada. O homem reconstruído.

Se a história terminasse aqui, seria bonita.

Mas a vida não termina quando tudo tá bom. A vida continua. E continuar significa enfrentar o que vem pela frente.


Capítulo 12: O Preço do Foco

Abril de 2019. Tive a ideia da Growth Master. Começou como agência mas logo virou aceleradora.

Em outubro do mesmo ano, comecei um projeto de dropshipping. Tecnologia. Plataforma. Algo completamente fora da minha zona de expertise.

A ideia de ambos era boa. Teoricamente sólida. Escalável. Eu estava confiante. Investi pesado. Cerca de R$ 250 mil no total entre os dois projetos.

E não deu certo.

Não foi por falta de esforço. Não foi por falta de conhecimento. Foi porque às vezes o timing tá errado. Às vezes o mercado não tá pronto. Às vezes você se aventura em área que não domina e paga o preço.

R$ 250 mil.

Pra quem veio de onde eu vim, às vezes parece que é tudo.

E olha, eu não vou mentir: doeu.

Não foi a dor do barraco. Não foi a dor de 2012. Mas foi a dor de perceber que reconstruir não te torna invencível. Sucesso não te blinda de falhar de novo.

Hoje, 2026, esses projetos estão em standby. Não mortos. Mas pausados. Quem sabe um dia eu retome. Quem sabe não.

Mas os aprendizados ficaram:

Foco é tudo. Quando você se aventura em área que não é sua especialidade, o risco multiplica. Não era o momento de entrar em tecnologia.

Falhar faz parte. O que define você não é SE você vai falhar. É o que você faz DEPOIS que falha.


Capítulo 13: Quando o Mundo Parou

Março de 2020.

Pandemia.

Você lembra, né? Todo mundo lembra. O mundo literalmente parou.

E quando o mundo para, negócios tremem. Alguns caem. Alguns se adaptam. Alguns simplesmente desaparecem.

Eu tremia junto.

Clientes cancelando projetos. Outros pedindo desconto. Outros congelando tudo “até passar a pandemia” (spoiler: muitos nunca voltaram).

Agosto de 2020. Precisei fazer downsizing. Reduzir operação. Cortar custos. Apertar o cinto.

E o nosso casamento, que seria dia 21 de novembro de 2020, precisou ser adiado.

Pra novembro de 2021.

Natalia foi incrível. Ela nunca reclamou. Nunca cobrou. Nunca fez drama. Só segurou minha mão e disse: “A gente casa quando der. O importante é a gente.”

Eu não merecia ela. Mas agradeço todo dia por tê-la.


Capítulo 14: A Volta Pra Casa

Janeiro de 2021.

Virei sócio da Netlinks, empresa focada em SEO.

Foi uma parceria estratégica. Eles eram bons tecnicamente. Eu era bom em estruturação comercial e posicionamento. Juntos, poderíamos crescer forte.

E crescemos.

15 de setembro de 2021.

Eu e Natalia finalmente nos mudamos pra Florianópolis. Bairro Jardim Atlântico, perto do mar. Definitivamente. Não mais visita. Não mais “vou voltar”. Floripa era casa agora.

20 de novembro de 2021.

Casamos.

Finalmente.

Foi simples. Foi pequeno. Foi perfeito.

E ali, naquele dia, com Natalia ao meu lado, minha mãe presente, amigos verdadeiros ao redor, eu pensei: “valeu a pena. Cada queda valeu a pena pra chegar aqui.”


Capítulo 15: A Pergunta Que Não Calava

Janeiro de 2023.

Saí da Netlinks.

Não foi briga. Não foi treta. Foi timing. Foi perceber que eu tinha uma missão maior. Que eu não podia ficar confortável. Que ainda havia algo que eu precisava construir.

Mas o quê?

2023 foi um ano de reflexão profunda.

Eu tinha 17 anos de experiência. Tinha atendido mais de 140 clientes. Tinha participado da geração de aproximadamente R$ 1 bilhão em vendas ao longo desses anos. Tinha desenvolvido uma metodologia proprietária que funcionava.

E aqui vai uma verdade que precisa ser dita:

Eu enriqueci muita gente. Mas eu mesmo? Ainda não.

Não estou reclamando. Não estou dizendo que passei necessidade. Longe disso. Estou numa situação infinitamente melhor que aquele barraco de 2012.

Mas a verdade nua e crua é esta: passei 17 anos estruturando vendas pra outros. Ajudando empresários a faturarem milhões. Vendo clientes crescerem, contratarem, expandirem.

E eu? Eu ganhava bem como consultor. Mas nunca construí MEU próprio patrimônio. Nunca coloquei meu próprio sistema pra rodar em escala.

Era como se eu fosse o melhor técnico de futebol do mundo, ensinando times a ganharem campeonatos, mas nunca tendo jogado minha própria partida.

E olha, não é inveja. Não é amargura. É constatação.

Se o método que eu criei funciona tão bem pra tantas empresas… por que eu nunca apliquei ele pra mim mesmo em escala?

Porque eu sempre estava ocupado resolvendo o problema de outra pessoa.

Agora era a hora de mudar isso.

Mas e agora? O que eu faço com tudo isso?

Eu podia continuar fazendo consultoria tradicional. Pegar clientes grandes. Cobrar caro. Viver bem.

Mas tinha algo me incomodando.

As micro e pequenas empresas - aquelas que mais precisam de sistema, aquelas que mais sofrem com improviso, aquelas que quebram não por falta de mercado mas por falta de método - essas empresas não têm acesso a consultoria de qualidade.

Porque consultoria tradicional custa R$ 50 mil, R$ 100 mil, R$ 200 mil.

E o microempresário que fatura R$ 50 mil por mês não tem como pagar isso.

Então ele fica preso. Improvisando. Sofrendo. Quebrando.

E eu sabia disso porque eu vim de lá. Eu fui aquele microempresário. Eu fui aquele cara que não tinha R$ 50 mil pra contratar consultor. Eu fui aquele cara que teve que aprender na pancada.

E pensei: “E se eu criasse algo acessível? E se eu democratizasse acesso a vendas escaláveis?”

Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça durante 2023 inteiro.


Capítulo 16: Davi

10 de outubro de 2024.

Nasceu o Davi.

Meu filho.

Você já segurou seu filho nos braços pela primeira vez? Já olhou pra aquele ser pequeno, frágil, que depende completamente de você, e sentiu o peso da responsabilidade?

Eu segurei o Davi. Olhei pra ele. E chorei.

Não foi choro de tristeza. Foi choro de… gratidão. De alívio. De esperança.

Porque o Davi nunca vai saber o que é barraco sem geladeira.

Nunca vai saber o que é comer miojo todo dia porque é o que dá pra comprar.

Nunca vai saber o que é acordar sem luz porque cortaram por falta de pagamento.

Nunca vai saber o que é tomar calote de sócio e perder tudo aos 25 anos.

Mas ele vai saber o que é dignidade do trabalho.

Vai saber que sistema supera improviso.

Vai saber que da quebrada pro bilhão tem um caminho.

E esse caminho tem nome: metodologia.

Olhei pro Davi dormindo. Olhei pra Natalia. E soube exatamente o que eu precisava fazer.


Capítulo 17: O Nascimento do VSS

Dezembro de 2024. Janeiro de 2026.

Nasceu o conceito final do VSS - Vendas Sem Segredos.

Não foi ideia repentina. Foi 17 anos de condensação. Foi transformar cada erro, cada acerto, cada case, cada falha, em um sistema replicável e acessível.

E agora, março de 2026, está pronto para lançar.

Eu estava olhando pra trás, pros 17 anos de jornada. Tinha estruturado vendas pra 140+ empresas. Tinha gerado aproximadamente R$ 1 bilhão em vendas ao longo desses anos.

Mas esse conhecimento estava preso. Estava em consultorias caras. Estava inacessível pra maioria.

E foi aí que percebi: eu não precisava inventar nada novo. Eu precisava estruturar o que já funcionava.

Condensei tudo nos 6Ps das Vendas Escaláveis.

Cada P nasceu de uma lição real. Dolorosa ou vitoriosa, mas real:

P1 - Posicionamento: Aquela sociedade que quebrou em março de 2012 me ensinou que sem clareza você vira commodity e atrai sócio errado.

P2 - Público: Seis anos vendendo pra todo mundo (2004-2010) me ensinou que quem tenta vender pra todos não vende pra ninguém com eficiência.

P3 - Produto: Aquele primeiro cliente em 2012 quando ofereci “se não gostar, de graça” - me ensinou que oferta irrecusável supera promessa vazia.

P4 - Programas: Os grandes cases entre 2016-2020 me ensinaram que vender sem sistema é roleta-russa. CRM + funis + automação = previsibilidade.

P5 - Processos: Tentar escalar a Growth Master entre 2019-2023 me ensinou que sem processos documentados você não cresce, só repete caos em escala maior.

P6 - Pessoas: O fundo do poço no barraco em 2012 me ensinou que empresa que depende 100% do fundador não é empresa, é emprego disfarçado.

Cada P nasceu de erro real. De acerto real. De sangue, suor e lágrima. Não era teoria de livro. Era metodologia de rua construída ao longo de 17 anos e finalmente estruturada em framework formal.

Não é curso. Não é consultoria tradicional. Não é agência.

É parceria de transformação.

Eu implemento os 6Ps em 90 dias junto com o empresário. Não entrego PowerPoint e sumo. Fico até dar certo.

Porque se tem uma coisa que 17 anos me ensinaram é:

Improviso mata mais empresa que crise. A maioria das MPEs não quebra por falta de mercado. Quebra por falta de sistema replicável.

Marketing sem vendas é hobby caro. Post bonito no Instagram não paga boleto. Lead que não converte é dinheiro jogado no lixo.

Sistema replicável sempre supera talento improvisado no longo prazo. Vendedor talentoso que improvisa vende. Mas não escala.

E eu criei o VSS justamente pra resolver isso. Pra que micro e pequenas empresas tenham acesso ao mesmo sistema que empresas grandes têm, mas de forma acessível, escalável, que cria autonomia (não dependência).


Capítulo 18: O Legado

Hoje, janeiro de 2026.

Moro no sul da ilha de Florianópolis. Ribeirão da Ilha. Pertinho da praia.

A poucos minutos do mar. Davi tá crescendo. Thor tá velho mas ainda late quando chega visita. Natalia tá comigo, pensando em como entrar no negócio quando fizer sentido.

E eu?

Eu tô começando minha própria jornada de verdade.

Não vou mentir dizendo que já cheguei. Não vou fingir que tá tudo resolvido financeiramente. Seria desonesto.

Estou infinitamente melhor que aquele barraco de 2012. Tenho uma vida digna, uma família linda, um teto seguro sobre nossas cabeças. Não passo aperto.

Mas não construí ainda o que sei que sou capaz de construir.

Passei 17 anos ajudando outros a ficarem ricos. Vi clientes faturarem milhões usando o que eu ensinei. Vi negócios crescerem de R$ 50k pra R$ 300k, de R$ 160k pra R$ 1 milhão.

Agora é minha vez.

Não por ego. Não pra ostentar. Mas porque eu preciso provar - pra mim mesmo, mais que pra qualquer outra pessoa - que o método que eu criei funciona quando eu aplico ele na minha própria vida.

Eu tô construindo legado.

Não é sobre mim. Nunca foi.

Não é pra ganhar dinheiro - embora dinheiro seja consequência necessária de negócio bem feito. Não é pra aparecer nas redes sociais - embora isso seja ferramenta pra alcançar mais gente.

Eu existo pra transformar vidas através do empreendedorismo estruturado.

Não o empreendedorismo de discurso motivacional vazio. Aquele que gera empregos reais, sustenta famílias, movimenta economia local, prova que sistema supera talento improvisado.

Eu existo pra que empreendedores brasileiros - especialmente os que vêm de baixo, como eu - tenham acesso às mesmas ferramentas e metodologias que empresas consolidadas têm, sem precisar pagar R$ 50-100k em consultoria.

É sobre cada microempresário que acorda sem saber de onde vem a próxima venda.

É sobre cada empreendedor talentoso que trabalha 14 horas por dia mas não escala porque falta sistema.

É sobre cada pai e cada mãe que quer construir algo sólido pra deixar pros filhos.

É sobre provar que você não precisa nascer em berço de ouro pra construir algo que dura.

E dessa vez, enquanto construo isso, vou construir MEU próprio patrimônio junto.

Da quebrada ao bilhão. Do bilhão ao legado.

Essa é minha história.

E se você chegou até aqui, se você leu cada palavra, se algo ressoou em você…

Saiba que essa história é sua também.

Porque todos nós viemos de algum lugar. Todos nós carregamos cicatrizes. Todos nós já duvidamos de nós mesmos.

Mas aqueles que transformam cicatriz em sabedoria, que transformam dor em método, que transformam queda em reconstrução…

Esses mudam o jogo.

Não só pra eles. Mas pra todos que vêm depois.

E eu tô aqui, 17 anos depois de ter começado como freelancer, 13 anos depois do barraco sem geladeira, com 140+ clientes atendidos e aproximadamente R$ 1 bilhão em vendas estruturadas…

Pra te dizer uma coisa:

Sistema funciona. Método funciona. E você é capaz.

Bora pra cima.

Let’s grow, CARALHO!

— Joel Burigo
Ribeirão da Ilha, Florianópolis
Janeiro de 2026


P.S.: Se essa história tocou você de alguma forma, se você se viu em algum pedaço dela, se você tá naquela fase onde parece que não tem saída…

Eu quero que você saiba: tem saída. Sempre tem.

O barraco não é o fim. É só o começo de outra história.

E eu tô aqui pra provar isso todo dia.

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